Alimentação para imunidade no inverno: guia do nutricionista
Saúde

Alimentação para imunidade no inverno: guia do nutricionista

Inverno seco de Brasília exige estratégia nutricional para imunidade. Saiba como a nutricionista avalia vitamina D, zinco e microbiota intestinal.

Priscila QueirozPriscila Queiroz
20 de junho de 2026
11 min de leitura

Você já percebeu como, com a chegada do inverno, resfriados, gripes e alergias parecem surgir do nada? A alimentação para imunidade no inverno vai muito além de tomar vitamina C quando os primeiros sintomas aparecem — ela é uma estratégia contínua que começa no prato, todos os dias, antes mesmo da estação fria se instalar. Em Brasília, esse cuidado é ainda mais urgente: o inverno do cerrado é um dos mais secos do país, com umidade relativa do ar que pode cair abaixo de 15% em dias críticos.

O que você vai ler nesse artigo

  1. Por que o inverno de Brasília desafia seu sistema imunológico
  2. Vitamina D: o nutriente mais crítico (e mais negligenciado) no inverno
  3. Vitamina C além das laranjas: fontes brasileiras e dose adequada
  4. Zinco e selênio: os minerais que a dieta brasileira costuma deixar de lado
  5. Microbiota intestinal: 70% da imunidade começa no intestino
  6. Hidratação no inverno: a sede diminui, mas as necessidades não
  7. Alimentos que sabotam a imunidade no inverno
  8. Como funciona a consulta nutricional focada em imunidade

Por que o inverno de Brasília desafia seu sistema imunológico

A alimentação para imunidade no inverno é o conjunto de estratégias nutricionais que fortalecem as defesas do organismo durante a estação fria, reduzindo a vulnerabilidade a infecções virais, alergias respiratórias e resfriados. Em Brasília, esse desafio tem características únicas que tornam o planejamento alimentar ainda mais importante.

O inverno 2026 começa oficialmente em 21 de junho, mas os efeitos do clima seco do cerrado já se fazem sentir semanas antes. A umidade relativa do ar na capital pode cair a valores abaixo de 20% — comparável ao deserto do Saara em alguns registros históricos. Isso resseca as mucosas do nariz, da garganta e dos brônquios, que funcionam como a primeira barreira física do sistema imunológico contra vírus e bactérias.

Quando as mucosas perdem umidade, sua capacidade de reter e eliminar partículas invasoras cai drasticamente. É como retirar a porta de entrada de uma casa: qualquer agente externo entra sem resistência. Ao mesmo tempo, o frio leva as pessoas a fecharem janelas e se aglomerarem em ambientes com pouca circulação de ar — condições ideais para a proliferação de vírus respiratórios.

A variação térmica também é um fator específico do DF: temperaturas que chegam a 10°C nas madrugadas de julho e sobem a 28°C no início da tarde exigem que o organismo gaste energia extra para regulação térmica — energia que poderia ser direcionada para respostas imunológicas. Uma alimentação estratégica é parte fundamental desse suporte.

Vitamina D: o nutriente mais crítico (e mais negligenciado) no inverno

A vitamina D não é apenas importante para os ossos. Receptores dessa vitamina estão presentes em praticamente todas as células do sistema imunológico — linfócitos, macrófagos e células NK (natural killers) dependem dela para se ativar corretamente quando um agente invasor é detectado.

No inverno, dois fatores conspiram contra os níveis de vitamina D: as roupas mais cobertas e a menor duração do dia reduzem a exposição solar, principal mecanismo de síntese da vitamina na pele. Pesquisas publicadas no periódico científico Nutrients (MDPI) associam deficiência de vitamina D a maior suscetibilidade a infecções respiratórias — incluindo gripe e resfriados sazonais.

O problema é que a deficiência de vitamina D raramente causa sintomas perceptíveis nos estágios iniciais. A pessoa pode passar meses com níveis insuficientes sem perceber, enquanto o sistema imunológico opera em capacidade reduzida. Por isso, a avaliação laboratorial — o exame 25-OH vitamina D — é uma das primeiras solicitações da nutricionista clínica em consultas focadas em imunidade.

Na Nutrifono Clínica Interdisciplinar, a nutricionista analisa o resultado do exame e, conforme o nível sérico encontrado, personaliza a estratégia: quando a deficiência é moderada, alimentos como salmão, sardinha, atum, gema de ovo e cogumelos expostos ao sol compõem o plano alimentar. Quando os níveis estão baixos, a suplementação orientada é indicada — com dosagem e duração definidas individualmente, nunca por conta própria.

Para entender como o intestino e o fígado afetam a absorção da vitamina D — um fator frequentemente ignorado que pode impedir que a suplementação funcione —, leia nosso artigo sobre vitamina D baixa e absorção intestinal.

Vitamina C além das laranjas: fontes brasileiras e dose adequada

A vitamina C é o nutriente mais associado popularmente à imunidade — e com razão. Ela estimula a produção e a função dos leucócitos (glóbulos brancos), atua como antioxidante protegendo as células imunológicas do dano oxidativo e fortalece a integridade das mucosas. O problema é que a maioria das pessoas acredita que consumir uma laranja por dia já resolve.

A boa notícia é que o Brasil tem algumas das maiores fontes naturais de vitamina C do mundo. A acerola (até 1.677 mg por 100g) supera a laranja em até 30 vezes. O caju fresco entrega 219 mg por 100g. A goiaba vermelha oferece 228 mg por 100g e ainda carrega licopeno, outro antioxidante de alto valor imunológico. Esses alimentos são abundantes, acessíveis e tropicais — perfeitos para o contexto brasileiro.

A dose diária recomendada de vitamina C pelo Ministério da Saúde para adultos é de 75 a 90 mg/dia — facilmente atingível com alimentação variada e rica em frutas nativas. Em situações de infecção ativa, estresse crônico ou alta demanda imunológica, a necessidade pode ser maior, e a nutricionista ajusta a estratégia individualmente. Megadoses de vitamina C sem orientação, por outro lado, podem causar diarreia, cálculos renais e interferir na absorção de outros nutrientes essenciais.

Zinco e selênio: os minerais da imunidade que a dieta brasileira costuma deixar de lado

Zinco e selênio raramente aparecem nas conversas populares sobre imunidade — mas são dois dos minerais mais estudados pela ciência nesse contexto. Segundo reportagem do Correio Braziliense publicada em junho de 2026, especialistas de saúde reforçam a importância do zinco e do selênio para a defesa imunológica durante o inverno — e esse reforço tem fundamento científico sólido.

O zinco participa diretamente da maturação das células T e B — os "soldados" do sistema imunológico adaptativo — e tem ação antiviral documentada. Sua deficiência está associada a maior duração e intensidade de infecções respiratórias. As melhores fontes alimentares incluem carnes vermelhas magras, frango, frutos do mar, feijão, lentilha e sementes de abóbora.

O selênio é cofator da glutationa peroxidase, enzima antioxidante que protege as células imunológicas durante uma resposta inflamatória intensa. A castanha-do-pará é a fonte mais concentrada de selênio do mundo: 1 a 2 unidades por dia já fornecem a dose diária recomendada para um adulto. Consumir essa oleaginosa regularmente é uma das estratégias mais simples e eficazes para otimizar a imunidade durante o inverno brasileiro.

A suplementação de zinco ou selênio só deve ser feita com acompanhamento profissional: o excesso de zinco inibe a absorção de cobre, e o excesso de selênio é tóxico. A nutricionista avalia exames laboratoriais e o consumo alimentar atual antes de qualquer indicação de suplemento.

Microbiota intestinal: 70% da imunidade começa no intestino

Estimativas científicas apontam que aproximadamente 70% das células imunológicas do corpo humano estão localizadas no tecido associado ao intestino (GALT — gut-associated lymphoid tissue). Isso significa que a saúde da microbiota intestinal — o ecossistema de trilhões de microrganismos que habitam o trato digestivo — tem impacto direto na capacidade do organismo de se defender de infecções no inverno.

Uma microbiota equilibrada produz ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que modulam a resposta inflamatória e fortalecem a barreira intestinal. Quando essa barreira é comprometida — fenômeno conhecido como "leaky gut" —, agentes infecciosos e partículas inflamatórias podem entrar na corrente sanguínea, gerando uma resposta imune desregulada e crônica.

Para nutrir e equilibrar a microbiota no inverno, a estratégia nutricional foca em dois grupos de alimentos:

  • Probióticos (microrganismos benéficos): iogurte natural sem açúcar, kefir de leite ou de água, kombucha, coalhada fresca, chucrute artesanal
  • Prebióticos (fibras que alimentam essas bactérias): aveia, banana-da-terra, alho cru, cebola, alho-poró, aspargos, maçã com casca, chicória

A combinação regular de probióticos e prebióticos — o chamado efeito sinbiótico — é mais eficiente do que consumir probióticos isolados sem as fibras que os alimentam. Para entender melhor como a microbiota afeta o bem-estar além da imunidade, confira nosso guia completo sobre saúde intestinal e microbiota.

Hidratação no inverno: a sede diminui, mas as necessidades não

No verão, a sede é um lembrete natural para beber água. No inverno, especialmente no clima seco de Brasília, essa percepção diminui significativamente — mas as necessidades hídricas do organismo permanecem as mesmas, ou até aumentam para compensar a perda de água pelo trato respiratório (respirar ar seco resseca as vias aéreas por dentro).

A hidratação adequada mantém as mucosas úmidas e funcionais — a primeira linha de defesa do sistema imunológico. Mucosas bem hidratadas aumentam a viscosidade do muco, que captura e elimina agentes invasores antes que alcancem os pulmões. A meta básica para um adulto saudável é de 35 ml de água por quilograma de peso corporal por dia, ajustada pela nutricionista conforme o contexto clínico, o nível de atividade física e a temperatura ambiente.

Chás funcionais sem açúcar são aliados especialmente valiosos no inverno: o chá de gengibre com mel tem ação anti-inflamatória e aquece as vias aéreas; o chá de própolis apoia a mucosa respiratória; o chá de hibisco entrega antioxidantes polifenólicos. Atenção: bebidas quentes com açúcar, achocolatados e sucos industrializados não substituem a água — e ainda adicionam carga inflamatória ao organismo.

Alimentos que sabotam a imunidade no inverno

Tanto quanto saber o que comer, é fundamental saber o que evitar. Alguns alimentos muito presentes na dieta brasileira — especialmente no inverno, quando as pessoas tendem a buscar conforto alimentar — têm efeito comprovadamente prejudicial sobre a resposta imunológica.

  • Ultraprocessados: biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos e fast food contêm aditivos, gorduras trans e sódio em excesso que ativam vias inflamatórias e deprimem a atividade dos macrófagos — células que deveriam eliminar agentes invasores
  • Açúcar refinado em excesso: estudos indicam que o consumo elevado de açúcar suprime temporariamente a atividade dos neutrófilos — glóbulos brancos de primeira resposta — por até cinco horas após a ingestão
  • Álcool em excesso: interfere na produção de citocinas anti-inflamatórias e prejudica a integridade da barreira intestinal, favorecendo o desequilíbrio da microbiota (disbiose)
  • Dietas restritivas sem orientação: cortar grupos alimentares no inverno sem planejar a substituição nutricional cria deficiências que enfraquecem diretamente a resposta imune

A presença frequente desses alimentos na rotina não apenas enfraquece a defesa imunológica direta, mas também favorece um ambiente inflamatório crônico que piora alergias respiratórias sazonais — muito comuns em Brasília durante o período de seca intensa.

Como funciona a consulta nutricional focada em imunidade na Nutrifono

Listas de "alimentos para imunidade" circulam pela internet, mas a ciência mostra que a necessidade de cada nutriente varia de pessoa para pessoa. Um adulto com deficiência de vitamina D tem prioridades muito diferentes de outro com baixo consumo de zinco — e ambos precisam de um plano alimentar individualizado, não de um cardápio genérico.

Na Nutrifono Clínica Interdisciplinar em Brasília, a consulta de nutrição clínica focada em imunidade começa com uma anamnese completa: histórico de saúde, frequência de infecções nos últimos anos, nível de estresse, qualidade do sono, rotina alimentar detalhada e uso atual de suplementos. A partir daí, a nutricionista solicita um painel laboratorial direcionado, que pode incluir:

  • 25-OH vitamina D — avaliação do status sérico de vitamina D
  • Zinco sérico — identificação de deficiências subclínicas
  • Hemograma completo — contagem e qualidade das células imunes
  • Ferritina e ferro sérico — deficiência de ferro prejudica a função dos linfócitos
  • PCR ultrassensível — marcador de inflamação sistêmica crônica
  • Glicemia e insulina de jejum — resistência à insulina favorece ambiente inflamatório persistente

Com esses dados em mãos, a nutricionista monta um plano alimentar personalizado para o inverno: quais alimentos priorizar, em quais quantidades, em quais refeições, e quando a suplementação é realmente necessária — e em qual dose. O resultado é uma estratégia que faz sentido para a sua bioquímica individual, não para a média de uma população.

Se você quer adotar boas práticas de forma integral, nosso artigo sobre hábitos saudáveis em Brasília mostra como pequenas mudanças no dia a dia se somam para transformar a saúde ao longo do tempo. E se você tem dificuldade para dormir — o que impacta diretamente a imunidade, já que o organismo produz citocinas essenciais durante o sono profundo —, confira o que o nutricionista avalia antes de indicar magnésio para dormir.

Perguntas Frequentes

Quais alimentos fortalecem mais a imunidade no inverno?

Acerola, castanha-do-pará, sardinha, iogurte natural sem açúcar, alho, cebola, gengibre e vegetais coloridos são os destaques. Combiná-los em uma dieta variada é mais eficaz do que consumir qualquer alimento isoladamente.

Por que a vitamina D é tão importante para a imunidade no inverno?

Receptores de vitamina D estão presentes em células imunológicas essenciais. No inverno, a síntese cutânea cai com menor exposição solar. A deficiência aumenta a suscetibilidade a infecções respiratórias — e o exame 25-OH vitamina D é a única forma de saber se seus níveis estão adequados.

Qual a relação entre microbiota intestinal e imunidade?

Cerca de 70% das células imunológicas ficam no intestino. Uma microbiota equilibrada — nutrída com fibras prebióticas e alimentos fermentados — fortalece a barreira intestinal e regula a resposta inflamatória, reduzindo a vulnerabilidade a infecções sazonais.

Posso tomar zinco e vitamina C por conta própria no inverno sem consultar um nutricionista?

Não recomendamos. A suplementação de zinco em excesso inibe a absorção de cobre; megadoses de vitamina C podem causar cálculos renais. A dose adequada depende dos seus exames e da sua dieta atual. Uma consulta com nutricionista define com segurança o que você realmente precisa.

Por que o inverno de Brasília afeta mais a imunidade do que o de outras cidades?

O inverno seco do cerrado pode baixar a umidade relativa do ar a menos de 15% — extremamente abaixo do ideal para as mucosas respiratórias. Isso compromete a primeira barreira imunológica do corpo, tornando a estratégia nutricional ainda mais relevante para moradores do DF.

Referências

Leia também

Fortalecer a imunidade no inverno não é questão de sorte — é questão de estratégia nutricional personalizada. Cada nutriente, cada alimento e cada hábito se somam para criar um organismo mais resiliente frente ao frio, ao ressecamento do cerrado e aos vírus da estação. Na Nutrifono, acreditamos que esse cuidado deve ser individualizado para fazer diferença real na sua saúde. Nossa equipe de nutricionistas em Brasília está pronta para avaliar seus exames, entender sua rotina e montar um plano que funcione de verdade para você. Agende sua consulta e comece o inverno com a defesa que você merece.

Priscila Queiroz

Conheça Priscila Queiroz

Nutrição Esportiva, Nutrição na Infertilidade, Nutrição da Saúde da Mulher

Fundadora da clínica Nutrifono, nutricionista esportivo e especialista na saúde da mulher. Atua na menopausa, endometriose, adenomiose, SOP, acompanhamento gestacional e terapia da fertilidade.

Gostou do conteúdo? Agende uma consulta personalizada com Priscila Queiroz para receber orientações específicas para o seu caso.

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