
Ozivy (Ozempic - concorrente nacional): por que o acompanhamento nutricional é essencial ao usar semaglutida
A Anvisa aprovou a Ozivy, primeiro similar brasileiro da semaglutida. Saiba por que o acompanhamento nutricional é indispensável antes e durante o uso.
Priscila QueirozA Anvisa aprovou em 26 de maio de 2026 o registro da Ozivy, o primeiro similar nacional à base de semaglutida produzido no Brasil — e isso significa que milhares de pessoas que buscam tratamento para obesidade em Brasília e em todo o país terão acesso a um medicamento mais barato do que o Ozempic em poucos meses. Mas uma questão fundamental fica de fora do noticiário: semaglutida sem acompanhamento nutricional é seguro? A resposta é direta: não completamente. Neste artigo, explicamos por que o acompanhamento com nutricionista clínico é indispensável antes, durante e após o tratamento com GLP-1 agonistas — e o que você precisa saber antes de dar esse passo.
O que você vai ler nesse artigo
- O que é a Ozivy e por que a aprovação é um marco para o Brasil
- O que é semaglutida e como ela age no organismo
- Semaglutida sem acompanhamento nutricional: quais são os riscos reais
- O que o nutricionista clínico faz antes de você iniciar o tratamento
- Como montar a alimentação durante o uso de semaglutida
- O papel do exercício de força na prevenção da sarcopenia
- O tratamento de obesidade em Brasília precisa ser interdisciplinar
- Quando a semaglutida ficará mais acessível no Brasil
O que é a Ozivy e por que a aprovação é um marco para o Brasil
A Ozivy é o nome comercial do primeiro similar nacional com semaglutida aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — produzida pela EMS, um dos maiores laboratórios farmacêuticos do Brasil, com planta fabril localizada em Hortolândia, no interior de São Paulo. A aprovação ocorreu em 26 de maio de 2026, após a patente da semaglutida — que pertencia à empresa dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic — expirar no Brasil em março do mesmo ano.
De acordo com reportagem da BBC News Brasil publicada em 26 de maio de 2026, a previsão é que a Ozivy chegue às farmácias entre dois e três meses após a aprovação — ou seja, até agosto de 2026. O preço ainda não foi oficialmente definido, mas estimativas do setor apontam para algo em torno de R$ 1.039, aproximadamente 30% abaixo do Ozempic, que custa cerca de R$ 1.300.
A EMS investiu R$ 1,2 bilhão na construção da planta fabril para produzir injetáveis com a qualidade exigida pela Anvisa. Isso inclui controles rigorosos de esterilidade, cadeia de frio no transporte e testes de estabilidade — uma infraestrutura que poucos laboratórios no Brasil possuem. Outros concorrentes nacionais devem chegar ao mercado de forma gradual: a Anvisa concede, no máximo, três aprovações de semaglutida por semestre, o que projeta o surgimento de novos produtos até o final de 2027.
Mas enquanto o debate público se concentra no preço e na disponibilidade, uma pergunta essencial permanece sem resposta suficiente: o que acontece com o organismo de quem usa semaglutida sem orientação nutricional adequada?
O que é semaglutida e como ela age no organismo
A semaglutida é um medicamento da classe dos agonistas do receptor GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) — substâncias que imitam um hormônio natural produzido pelo intestino em resposta à ingestão de alimentos. Ela age em diferentes frentes: reduz o apetite ao atuar nos receptores cerebrais de saciedade, retarda o esvaziamento gástrico (fazendo o estômago demorar mais para processar os alimentos) e regula a liberação de insulina pelo pâncreas.
Esses mecanismos combinados explicam por que a semaglutida é eficaz para a perda de peso: estudos clínicos mostram redução média de até 15% do peso corporal total em pacientes que usam o medicamento associado a mudanças de estilo de vida. Ela representa a segunda geração das chamadas canetas emagrecedoras, superando a liraglutida — primeira geração, com redução de até 8% do peso — e posicionada abaixo da tirzepatida, terceira geração, que pode promover até 22,5% de perda de peso (mas cuja patente no Brasil só expira em 2036).
No entanto, a eficácia do medicamento não exclui — e na verdade amplifica — a necessidade de orientação nutricional adequada. Quanto mais rápida é a perda de peso, maior o risco de perda de massa magra, deficiências nutricionais e desorganização alimentar a longo prazo. O medicamento age sobre o apetite e a saciedade, mas não orienta o organismo sobre quais nutrientes priorizar. É exatamente aí que entra o papel do nutricionista clínico.
Semaglutida sem acompanhamento nutricional: quais são os riscos reais
O entusiasmo com os resultados das canetas emagrecedoras costuma ofuscar uma realidade importante: o medicamento reduz a ingestão alimentar de forma significativa, mas não sabe diferenciar quais nutrientes o seu corpo precisa priorizar. Sem orientação profissional, a perda de peso pode acontecer de forma tecnicamente eficaz — e ao mesmo tempo nutricionalmente inadequada.
Perda de massa muscular (sarcopenia)
Quando o corpo perde peso de forma acelerada sem proteção nutricional adequada, parte significativa dessa perda vem da massa muscular — não apenas da gordura corporal. Esse processo, chamado de sarcopenia, é um dos riscos mais documentados no uso de GLP-1 agonistas sem acompanhamento. A literatura científica indica que, sem ingestão proteica adequada e sem exercício de força, até 40% do peso perdido durante o tratamento pode vir de massa magra — músculo, tecido ósseo e agua intracelular.
A sarcopenia não é um problema apenas estético: ela reduz a força funcional, aumenta o risco de quedas e fraturas, prejudica o metabolismo basal (tornando o reganho de peso mais provável após a suspensão do medicamento) e compromete a qualidade de vida em todas as faixas etárias. Preveni-la exige, necessariamente, um planejamento nutricional com foco em proteínas de alta qualidade — e esse planejamento precisa ser individualizado por um profissional habilitado.
Deficiências nutricionais silenciosas
A semaglutida reduz significativamente o volume alimentar que a pessoa consegue ingerir. Isso é benéfico para o déficit calórico — mas representa um risco real para a ingestão de micronutrientes essenciais. Com menos comida sendo consumida por dia, aumenta o risco de deficiência de:
- Vitamina B12 — fundamental para o sistema nervoso, a produção de glóbulos vermelhos e o metabolismo energético
- Zinco — essencial para imunidade, cicatrização e síntese proteica
- Ferro — prevenção de anemia ferropriva e manutenção da capacidade aeróbica
- Cálcio e Vitamina D — saúde óssea, especialmente importante quando há redução rápida de peso
- Magnésio — regulação muscular, qualidade do sono e controle glicêmico
Esses déficits se instalam de forma silenciosa — sem sintomas claros no início — e podem se manifestar meses depois, quando o paciente já está em uso contínuo do medicamento. Sem exames laboratoriais de acompanhamento e um plano alimentar que maximize a densidade nutricional das refeições, esses déficits passam despercebidos por tempo suficiente para causar danos relevantes à saúde.
Náuseas, saciedade precoce e desorganização alimentar
Um dos efeitos colaterais mais comuns no início do uso de semaglutida são as náuseas — reportadas por parcela significativa dos usuários nas primeiras semanas de tratamento. Combinadas à saciedade precoce intensa, elas levam muitas pessoas a evitar refeições completas, pular proteínas pela textura ou cheiro e se alimentar de forma fragmentada e desordenada. Sem orientação nutricional, esse padrão pode se tornar crônico e gerar justamente o tipo de relação disfuncional com a comida que um tratamento sério de obesidade deve evitar — não reforçar.
O que o nutricionista clínico faz antes de você iniciar o tratamento
Na Nutrifono Clínica Interdisciplinar, o acompanhamento nutricional para pacientes que consideram ou já utilizam semaglutida começa antes da primeira dose. A avaliação inicial da nutricionista clínica inclui:
- Avaliação do estado nutricional atual — composição corporal detalhada (massa magra vs. gordura), histórico alimentar, padrões de comportamento com a comida e relação emocional com a alimentação
- Solicitação de exames laboratoriais de base — hemograma completo, proteínas totais e frações, albumina, vitamina B12, zinco sérico, ferritina, ferro sérico, vitamina D, função renal e hepática, perfil lipídico, glicemia e insulina em jejum
- Cálculo das necessidades proteicas individualizadas — baseado em peso atual, massa magra estimada, nível de atividade física e objetivo terapêutico (preservação muscular máxima durante a perda de peso)
- Planejamento alimentar personalizado — refeições adaptadas à redução do volume gástrico causada pela semaglutida, priorizando densidade nutricional, palatabilidade e tolerância digestiva nas primeiras semanas
- Protocolo de suplementação — quando necessário, vitaminas e minerais são prescritos para cobrir déficits identificados nos exames ou preventivamente durante o período de restrição alimentar
Esse trabalho é fundamental para que o paciente entre no tratamento com o melhor estado nutricional possível — e termine o ciclo sem déficits acumulados ou perda muscular expressiva. Se você quer entender mais sobre como funciona o acompanhamento com nutricionista clínico em Brasília, temos um guia completo sobre o assunto.
Como montar a alimentação durante o uso de semaglutida
Durante o tratamento com GLP-1 agonistas, a lógica alimentar muda fundamentalmente. O desafio não é mais controlar a quantidade — o medicamento já cuida disso com eficiência. O desafio passa a ser garantir qualidade nutricional densa em volumes menores. Algumas diretrizes gerais que a nutrição clínica orienta:
- Priorize proteínas em cada refeição — Ovos, frango grelhado, peixe, atum, iogurte grego natural, ricota, cottage e leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico) são fontes de alta qualidade e boa tolerância digestiva. A recomendação proteica para pacientes usando semaglutida fica geralmente entre 1,2 e 1,6g por kg de peso corporal por dia — ou mais, a depender da composição corporal e do nível de atividade física
- Prefira alimentos com alta densidade nutricional — Vegetais verde-escuros (espinafre, couve, brócolis), sementes de abóbora, linhaça, castanhas e ovos entregam micronutrientes relevantes em volume reduzido de alimento
- Fracione as refeições — Com saciedade precoce intensa, especialmente no início do tratamento, refeições menores e mais frequentes (4 a 5 por dia) são mais bem toleradas do que 3 grandes refeições. O objetivo é garantir a ingestão diária total de nutrientes mesmo com volume gástrico reduzido
- Reduza ultraprocessados — Além de nutricionalmente pobres, alimentos muito processados podem intensificar as náuseas iniciais pelo alto teor de gordura saturada, açúcar e aditivos químicos
- Hidrate-se conscientemente — A saciedade causada pela semaglutida também pode suprimir a sensação de sede. Manter uma ingestão hídrica adequada (em torno de 30–35 ml por kg de peso) é essencial para função renal, digestão e desempenho metabólico
Para pacientes com diabetes tipo 2 — condição para a qual a semaglutida foi originalmente desenvolvida — o uso do medicamento pode complementar o controle glicêmico, mas a organização alimentar continua sendo fundamental. Se você já segue uma dieta para diabetes tipo 2, a transição para o uso de semaglutida exige ajustes específicos que só o nutricionista pode orientar com segurança.
O papel do exercício de força na prevenção da sarcopenia
A alimentação proteica adequada é o pilar nutricional da prevenção da sarcopenia — mas sem exercício de resistência, ela não é suficiente. O músculo se mantém quando o organismo recebe o estímulo de que aquela massa precisa ser preservada. Treinos de musculação, treinamento funcional com sobrecarga ou exercícios com resistência corporal (como agachamentos, flexões e levantamentos) enviam exatamente esse sinal ao organismo, mesmo durante um déficit calórico relevante.
A combinação de proteína adequada + exercício de força 2 a 3 vezes por semana é a estratégia com maior respaldo científico para garantir que a perda de peso com semaglutida venha predominantemente de gordura — e não de músculo. Segundo as diretrizes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO), o tratamento da obesidade deve integrar mudança do estilo de vida, incluindo atividade física estruturada, como componente essencial ao suporte farmacológico — e não como etapa opcional.
Na prática clínica, a nutricionista define metas proteicas diárias e o educador físico programa o treinamento de forma alinhada. Quando essa articulação acontece, os resultados são muito mais duradouros — e o risco de reganho de peso após a suspensão do medicamento cai substancialmente.
O tratamento de obesidade em Brasília precisa ser interdisciplinar
A Nutrifono Clínica Interdisciplinar trabalha exatamente nessa perspectiva: o medicamento é uma ferramenta — poderosa, legítima e com indicação científica sólida — mas não substitui o cuidado integral. O tratamento de obesidade que gera resultados duradouros combina intervenção médica (quando indicada), suporte nutricional individualizado, e, em muitos casos, acompanhamento psicológico para lidar com a relação emocional com a comida, a imagem corporal e os gatilhos comportamentais que contribuem para o ganho de peso.
Pacientes que buscam orientação para iniciar semaglutida frequentemente chegam com padrões alimentares desequilibrados que o medicamento vai suprimir temporariamente — mas não vai corrigir. Sem educação alimentar paralela, ao reduzir ou suspender a dose, esses padrões retornam e o peso recuperado pode superar o perdido. É o chamado efeito rebote, bem documentado nos estudos com GLP-1 agonistas e diretamente relacionado à ausência de reeducação alimentar durante o tratamento.
Entender como as canetas emagrecedoras agem no organismo deixa claro que esses medicamentos alteram profundamente a fisiologia do apetite — o que exige que o suporte profissional seja proporcional à intensidade da intervenção farmacológica.
Segundo o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), o acompanhamento nutricional é parte integrante e insubstituível de qualquer protocolo de tratamento de obesidade — independentemente do uso de medicamentos. O nutricionista é o profissional habilitado para avaliar o estado nutricional, prescrever o plano alimentar e monitorar os impactos do tratamento sobre a composição corporal e os marcadores laboratoriais.
Quando a semaglutida ficará mais acessível no Brasil
A aprovação da Ozivy é o primeiro passo de um processo que deve se intensificar nos próximos anos. Atualmente, mais de uma dezena de pedidos de registro para produtos à base de semaglutida estão em análise pela Anvisa — mas a agência concede, no máximo, três novas aprovações por semestre, o que projeta o surgimento contínuo de novos produtos nacionais até o final de 2027.
Com mais produtos no mercado, a competição tende a forçar uma redução progressiva dos preços. Segundo análise do Itaú BBA, a queda pode chegar a 50% em relação ao valor atual do Ozempic em cinco anos. No curto prazo, no entanto, o desconto esperado é de aproximadamente 30% — o que posiciona a Ozivy em torno de R$ 1.039 ao chegar às prateleiras.
Esse cenário é positivo para a democratização do acesso — mas amplia também a responsabilidade do sistema de saúde para garantir que esse acesso mais amplo venha acompanhado de suporte profissional adequado. Usar semaglutida sem orientação nutricional — especialmente em contextos de automedicação ou prescrição remota sem acompanhamento continuado — é um risco evitável com uma simples consulta preventiva antes de iniciar o tratamento.
Perguntas Frequentes
O que é a Ozivy e quando ela chega às farmácias?
A Ozivy é o primeiro similar nacional com semaglutida, aprovado pela Anvisa em 26 de maio de 2026 e produzido pela EMS. A previsão de lançamento nas farmácias é para agosto de 2026, com preço estimado cerca de 30% abaixo do Ozempic (em torno de R$ 1.039).
Preciso de acompanhamento nutricional para usar semaglutida?
Sim. A semaglutida reduz o apetite e o volume alimentar, mas não orienta o organismo sobre quais nutrientes priorizar. Sem acompanhamento nutricional, há risco real de perda muscular, deficiências de vitaminas e minerais e desorganização alimentar.
Quais os principais riscos de usar semaglutida sem orientação nutricional?
Os principais riscos são: perda de massa muscular (sarcopenia), deficiências de vitamina B12, ferro, zinco e cálcio, náuseas que dificultam a alimentação adequada e reganho de peso após suspender o medicamento por falta de reeducação alimentar paralela.
O que comer durante o tratamento com semaglutida?
Priorize proteínas de qualidade (ovos, frango, peixe, leguminosas), alimentos com alta densidade nutricional, refeições fracionadas em pequenos volumes e boa hidratação. Evite ultraprocessados, especialmente nas primeiras semanas, quando as náuseas tendem a ser mais intensas.
A semaglutida causa perda de músculo?
Pode causar, se a ingestão proteica for insuficiente e não houver exercício de resistência. Evidências científicas indicam que até 40% do peso perdido pode ser de massa magra sem proteção nutricional e treinamento de força adequados durante o tratamento.
Referências
- BBC News Brasil — Quando a Ozivy, concorrente do Ozempic feita no Brasil, deve ser lançada e quanto ela deve custar (26/05/2026)
- ABESO — Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica
- CFN — Conselho Federal de Nutricionistas
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O tratamento de obesidade eficaz e sustentável exige mais do que uma caneta emagrecedora — exige um plano nutricional individualizado, exames laboratoriais de acompanhamento e educação alimentar real. Se você está considerando iniciar o uso de semaglutida ou já começou e ainda não tem acompanhamento nutricional, nossa equipe está pronta para te receber. Agende sua consulta com nossa nutricionista clínica em Brasília e comece o tratamento com a base certa.

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Nutrição Esportiva, Nutrição na Infertilidade, Nutrição da Saúde da Mulher
Fundadora da clínica Nutrifono, nutricionista esportivo e especialista na saúde da mulher. Atua na menopausa, endometriose, adenomiose, SOP, acompanhamento gestacional e terapia da fertilidade.
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